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Esporte Paraciclismo

Ex-campeão brasileiro representando Sergipe, Ulisses Freitas voltará a competir com foco nas Paralimpíadas de Tóquio

Com 500 medalhas e 200 troféus, o atleta deixou as competições após passar no curso de Medicina na Universidade Federal de Sergipe (UFS), em 2018

20/12/2020 18h26 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação Fonte: AjuNews
Foto Arquivo pessoal
Foto Arquivo pessoal

Paraciclista campeão brasileiro de 2014 a 2017 representando Sergipe, Ulisses Freitas, 41 anos, afirmou em entrevista ao AjuNews que voltará a competir em 2021 em busca do prêmio nacional e de uma vaga para as Paralimpíadas de Tóquio, adiada para 2021 em virtude da pandemia da covid-19. Com 500 medalhas e 200 troféus, o atleta deixou as competições após passar no curso de Medicina na Universidade Federal de Sergipe (UFS), em 2018.

“No meu caso, eu estou sem competir desde 2018, quando parei nas competições para poder estudar. As competições nacionais devem voltar em março de 2021, é onde irei brigar para ser novamente o campeão brasileiro. Estou treinando forte para isso, é uma disciplina e uma dedicação”, disse. “Eu vou brigar por aquela chance de ir para Tóquio, tem uma vaga aberta e vários atletas brigando, atletas muito bem colocados no ranking mundial. Todo atleta sonha. Eu sonho com a Paralimpíada e o Ironman, especialmente o do Texas”, completou.

À reportagem, o paraciclista frisou que, apesar de ter deixado as competições para estudar, não deixou de treinar e praticar o esporte. Segundo ele, o isolamento durante a pandemia da covid-19 ajudou seu rendimento físico com os treinos em casa.

“Desde 17 de março, quando a pandemia estourou, eu me isolei com minha família na minha casa e fiquei treinando. Tenho um simulador aqui em que eu coloco minha handbike e continuei treinando. Eu estava no meu peso normal, mas fiquei do dia 17 ao dia 30 de julho sem sair para nada. Ciclista precisa da estrada e rodovia para treinar e eu fiquei treinando no simulador, fazia dois treinos por dia e perdi 9 kg”, afirmou.

Conhecido por sua história de superação, desde que iniciou sua carreira no esporte em 2013, Ulisses foi campeão Norte Nordeste de basquete em cadeira de rodas, no mesmo ano; campeão sergipano de paraciclismo de 2012 a 2017; campeão brasileiro de 2014 a 2017; e, em 2018, foi campeão da Copa do Brasil.

Confira a entrevista completa:

AjuNews: Em 2019, você foi homenageado com a indicação da deputada Goretti Reis por seu processo de superação. Conte-nos um pouco sobre sua história.
Ulisses Freitas: Eu acordo na maioria dos dias às 4h20 da manhã, tomo meu café, saio para treinar, treino de 60 a 100 quilômetros por dia, aí volto e tenho que assistir aula e estudar, além de ser pai, marido, e tem as outras coisas da casa. É uma vida corrida, quando você vai ver já são 21h da noite, e você já tem que dormir e descansar para acordar no outro dia, de domingo a domingo. Não tem férias para atleta, eu tenho foco para voltar a competir em alto nível em 2021.

Em relação a minha história, a deputada Gorete indicou a medalha de superação Flávio Primo, dada na Câmara dos Deputados, em Sergipe. Eu sou filho de Paripiranga. Em 2006, passei no concurso da Polícia Militar do Estado da Bahia. Em 2008, eu e meu irmão estávamos no 20° Batalhão da Polícia Militar do Estado da Bahia, em Paulo Afonso. Naquele ano, vindo para casa, numa sexta-feira, exatamente no dia 22 de agosto de 2009, um bêbado dirigindo na contramão nos atropelou. Meu irmão ficou seis dias em coma e veio a falecer. Eu passei 11 meses dentro de um hospital, passando por 10 cirurgias, infecções, por quase um ano. Foi duro, saí de lá numa cadeira de rodas, foi muito difícil superar a perda do meu irmão, é uma feridinha que não cicatriza e está alí. Sem falar também do fato de sair do hospital numa cadeira de rodas. Foram quase dois anos em depressão até conhecer o esporte. Primeiro eu conheci o basquete em cadeira de rodas, e depois abriu um leque de opções na minha vida. Remo adaptado, atletismo, handebol, triatlo, até conhecer o paraciclismo que me apaixonei. O paraciclismo é minha paixão, quero fazer isso pelo resto da minha vida. Conheci o basquete no final de 2010, e o paraciclismo entrou na minha vida em janeiro de 2012. Em agosto de 2013 decidi virar profissional. No final de 2014, em outubro, eu fui campeão brasileiro, em Curitiba. Primeiro campeão até então do Norte e Nordeste. Eu sou filiado com a Federação Sergipana de Ciclismo. Paripiranga fica na divisa com Sergipe, e em Sergipe tudo é mais fácil para quem mora aqui. Adoro Simão Dias e Lagarto, onde estou estudando, na UFS. Simão Dias é minha segunda casa, onde treino todos os dias, de Paripiranga até Lagarto, praticamente. Mas quando vou para as competições eu sempre levo a bandeira de Paripiranga, que é onde eu nasci.

Em 2015 decidi fazer o Enem, fui tentando e tentando até que em 2018 passei em Medicina, onde era meu sonho estudar. Mudou minha vida, porque aprendi a estudar e a gostar de estudar. O conhecimento para mim é tudo hoje. Me dá muito prazer quando estudo e aprendo de verdade. Não consigo mais ficar um dia sem estudar. Todos os dias, do mesmo jeito que eu treino, eu estudo, nem que seja uma hora ou duas horas, em final de semana, eu leio alguma coisa. Sou uma pessoa muito grata por tudo na minha vida.

Sou paraciclista, pedalo com uma bicicleta com propulsão nos braços, movimentando os braços e com o corpo totalmente preso a bike, ela é bem baixinha e tem três rodas. As competições geralmente são em dois dias. Uma prova de contra relógio, que varia de 9 km a 14 km. E no segundo dia é uma prova de resistência, que vai de 60 km a 80 km. O ciclismo é um esporte que dá muito prazer. Mas como esporte profissional em alta performance é muito duro, onde você tem que treinar e manter uma dieta, ficar muito leve. Exige muita disciplina e dedicação.

AjuNews: Com a pandemia da covid-19, muitos torneios foram paralisados e adiados. Ainda assim, você continua fazendo treinamento? O que você tem feito durante esse período?
Ulisses Freitas: No meu caso eu estou sem competir desde 2018, quando parei nas competições para poder estudar. Outros atletas continuaram treinando. Muitos não sabiam quando iria voltar, mas mesmo assim continuaram para ficarem preparados. Desde que eu parei eu mantive uma rotina. Adoro pedalar, continuei meus pedais, praticamente todos os dias, de uma hora e meia a cinco horas, variando, mas em média de duas a três horas.

AjuNews: A pandemia influenciou negativamente em sua rotina?
Ulisses Freitas: Em relação a ser atleta, ela me influenciou positivamente. Pois desde 17 de março, quando a pandemia estourou, eu me isolei com minha família na minha casa e fiquei treinando. Tenho um simulador aqui em que eu coloco minha handbike e continuei treinando. Eu estava no meu peso normal, mas fiquei do dia 17 ao dia 30 de julho sem sair para nada. Ciclista precisa da estrada e rodovia para treinar e eu fiquei treinando no simulador, fazia dois treinos por dia e perdi 9 kg. Então influenciou positivamente, eu fiquei abaixo do meu peso de quando eu estava competindo na seleção brasileira. Eu já fiquei abaixo uns 2 kg, nunca cheguei abaixo desse peso que estou hoje. Peguei aquele momento difícil e ruim e transformei em algo positivo para mim dentro da minha rotina que é de treinar e estudar.

AjuNews: Em suas redes sociais, você já compartilhou que está cursando medicina na UFS. Como você pretende conciliar seus estudos com sua carreira no esporte?
Ulisses Freitas: No dia 1° de agosto eu decidi estudar e de lá pra cá não competi mais. Resolvi voltar a ser profissional no paraciclismo novamente, estou treinando há um ano em alta performance para poder voltar, mas minha prioridade são os estudos. Minha prioridade hoje são os estudos e sempre será, porque o esporte para mim é um lazer, uma coisa que me traz prazer. Então eu faço do esporte o meu hobby diário, minha forma de divertimento, onde descanso a mente para poder voltar para casa e estudar. A família ajuda muito, então até agora não está atrapalhando. A partir do momento que o esporte atrapalhe meus estudos, irei diminuir os meus treinos. Ainda não sei como vai ser as competições e as viagens. Eu tenho uma competição marcada para o dia 10 de janeiro e vou a partir daí ver como vai ficar em relação a estudar e a competir, porque eu quero competir em alto nível, lutar pelo campeonato brasileiro e ser campeão brasileiro.

AjuNews: Você ainda pensa em participar das paralimpíadas?
Ulisses Freitas: Sim, claro! A paralimpíada é o sonho de todo atleta. Tem aí aquele 0,5%, ou melhor, 1% de chance. Tudo depende de mim. Na verdade, as competições nacionais devem voltar em março de 2021, é onde irei brigar para ser novamente o campeão brasileiro. Estou treinando forte para isso, é uma disciplina e uma dedicação, porque assim eu não sou mais nenhum jovem, tenho 41 anos, exige muito do meu corpo. Cheguei numa idade em que a recuperação muscular é muito difícil. Tenho que ter uma ótima alimentação para poder respeitar os limites do meu corpo. Mas eu vou brigar por aquela chance de ir para Tóquio, tem uma vaga aberta e vários atletas brigando, atletas muito bem colocados no ranking mundial. Todo atleta sonha. Eu sonho com a Paralimpíada e o Ironman, especialmente o do Texas.

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